Vereadora Júlia Arruda

Blog

Blog

Júlia defende formação de educadores sobre gênero

A vereadora Júlia Arruda se posicionou favorável à manutenção do texto original, com a inclusão da temática de gênero, no Plano Municipal de Educação, discutido na sessão ordinária desta quarta-feira (17) na Câmara Municipal de Natal. A parlamentar, que é membro da Comissão de Educação e preside a Comissão de Direitos Humanos e a Frente Parlamentar Municipal em Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, destacou em seu pronunciamento a importância de que os educadores sejam capacitados e estejam aptos a lidar com situações discriminatórias que envolvam machismo e homofobia no ambiente escolar.

Confira o pronunciamento da vereadora Júlia Arruda sobre o assunto:

"Como membro da Comissão de Educação, Cultura e Desporto desta Casa Legislativa, tenho participado ativamente de todos os debates que envolvem o Plano Municipal de Educação que, como bem sabemos, não se resume às discussões de gênero. No entanto, dada as proporções que essa temática alcançou, como presidente da Comissão de Direitos Humanos e da Frente Parlamentar Municipal em Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, e após ouvir e dialogar com representantes de todas as entidades ligadas ao tema, tenho o dever de me posicionar sobre essa questão.

Em primeiro lugar, quero destacar que está havendo uma verdadeira confusão nas discussões de gênero e orientação sexual no plano municipal. Isso porque, quando falamos em gênero, não estamos defendendo que as escolas devem persuadir crianças e adolescentes a optarem por serem meninos ou meninas. Ao mesmo tempo, quando nos referimos à orientação sexual, não estamos falando em fazer das escolas espaços para o desenvolvimento precoce da sexualidade em crianças e adolescentes. Propagar essas ideias equivocadas, além de incoerente, é muito perigoso.

Entendo que excluir as discussões de gênero do Plano Municipal de Educação representa um verdadeiro retrocesso e uma perigosa omissão, uma vez que atenta contra os direitos humanos e venda os olhos da sociedade para as situações constrangedores, humilhantes e discriminatórias a que as meninas estão expostas diariamente nas escolas, resultantes de uma cultura machista que as consideram inferiores em relação aos meninos, e que, mais tarde, se manifesta nos crescentes casos de estupros e feminicídios que acompanhamos diariamente e que colocam o Brasil em 5º lugar do ranking mundial de violência contra as mulheres.

Portanto, trata-se de um debate social amplo, que não pode e não deve ser reduzido puramente às questões sexuais. Nesse sentido, enfatizo que não é correto falar em “ideologia de gênero”, pois não se trata da formação de ideologia, mas do combate a uma: o machismo. Por isso, defendemos aqui a IDENTIDADE DE GÊNERO, para que meninos e meninas desde cedo se identifiquem como tal e tenham consciência de que as diferenças biológicas não podem determinar desigualdades e injustiças sociais. Uma construção pautada no RESPEITO À DIVERSIDADE.

A diversidade que gera situações discriminatórias responsáveis pelos altos índices de evasão escolar pelas quais educadores são confrontados diariamente e com as quais precisam estar aptos a lidar, com uma formação continuada para trabalhar essa temática de forma inclusiva, transversal e multidisciplinar. Por isso, o texto original do Plano Municipal de Educação diz: “Ampliar e garantir as políticas e programas de formação inicial e continuada DOS PROFISSIONAIS DE EDUCAÇÃO nas diversas áreas do ensino formal, contemplando educação especial, meio ambiente, cidadania, diversidade, orientação sexual e de gênero e as tecnologias da informação.”

Porque acreditamos que não existe educação eficaz sem a compreensão de cada aluno na sua diversidade, na sua individualidade. Uma compreensão que possibilita, inclusive, que profissionais de educação sejam capacitados a identificar e lidar com possíveis casos de exploração sexual de crianças e adolescentes, uma realidade cruel mas que, infelizmente, ainda faz parte da vida de muitas famílias. Assim sendo, meu posicionamento é favorável à manutenção do texto original, com a inclusão da temática de gênero, assim como a étnica e religiosa, no Plano Municipal de Educação, como uma importante ferramenta de conscientização e respeito à diversidade!"

Vereadora Júlia Arruda
Presidente da Comissão de Direitos Humanos, Trabalho e Minorias
Presidente da Frente Parlamentar Municipal em Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente
Membro da Comissão de Educação, Cultura e Desporto


Categorias

Arquivo